Arquivo mensal: julho 2014

Tradução: Uma negra butch fala: abordando a opressão feminina

Por Pippa Fleming

Eu estive guardando silêncio durante algum tempo, mas agora é hora de falar.

Quando uma criança negra apresenta sinais de racismo internalizado, nós queremos protege-las. Nós queremos que elas saibam que elas são perfeitas como são e amadas exatamente por quem elas são. Se nós somos pessoas negras conscientes, nós tentamos incutir em nossos jovens o conhecimento, habilidades, sabedoria e apoio necessários, então elas podem sobreviver e prosperar nessa sociedade racista.

Se a pequena Lakesha chega em casa com “mamãe, eu odeio ser negra e quero ser branca” nós ficamos chocadas, consternadas e tristes por sua auto-aversão e corremos para encontrar a fonte de sua opressão. É a escola, a mídia, seus pares ou todas as opções acima?

Então por que quando a pequena Lakesha butch chega em casa com “odeio o meu corpo e quero ser um garoto” ela é encorajada a assumir uma identidade masculina ou o assunto é evitado e ela é deixada a se perder em um mar de crenças de conformidade de gênero que a levam à disforia e uma vida vivida nas sombras?

No momento em que a criança do sexo feminino apresenta ser butch, ela é odiada, temida e tornada invisível pelos seus pares e, da mesma forma, pelos mais velhos.

Por que não estamos indignadas com a opressão às butches e dispostas a abordar a opressão de gênero do jeito que vemos a opressão racial ou de classes? Por que parece status quo jovens garotas butch odiarem seus corpos abençoados pela deusa?

Por que estamos guiando nossas bebês butches em direção à identidade masculina, em vez de explorarmos as causas desse auto-ódio?

Nós somos rápidas para dizer que uma pessoa negra está sofrendo internamente se ela quer branquear sua pele ou fazer uma cirurgia plástica para parecer mais européia… mas, se uma criança quer cortar seus seios fora e se livrar de sua vagina, isso é aceitável! Por sua vez, se eu questionar que é uma butch, eu sou vista como transfóbica.

Eu sou uma fêmea butch em não conformidade de gênero, que usa o banheiro masculino, é percebida como um homem todos os dias quando saio da minha porta e tornada invisível pela sociedade. Em vez de expandirmos as fronteiras da identidade feminina para incluirmos todas essas nuances,nos tornamos presas desesperadas daqueles 1% que dizemos desprezar.

Ser negra, fêmea e butch é ser uma guerreira, vamos rezar para que mais de nós tenhamos coragem para amarmos a nós mesmas e sermos mentoras totalmente sinceras para jovens butches, lutando para não estarmos de acordo com o impossível.

E não sou uma mulher!

 

https://www.facebook.com/notes/pippa-fleming/a-black-butch-speaks-addressing-female-oppression/10151121868240375

Sem tempo para me voltar contra mulheres

Por Isabel Rosa Wittig.

Eu, mulher negra e pobre não vou entrar em uma guerra contra as mulheres ricas e brancas. Não faz o menor sentido. Eu já tive meu quinhão de violência de gênero nesse mundo e até antes que eu conversasse com outras mulheres a respeito eu considerava que ele havia sido muito grande. Mas na verdade o que é grande é a minha capacidade de identificar quando isso acontece comigo e não naturalizar, não aceitar. Não sei porque eu sempre soube que tinha algo errado e que certas coisas consideradas naturais para as mulheres eram violentas demais pra mim. Antes de conversar com outras mulheres a respeito eu achei que só eu considerava essas coisas violentas, mas por trás de alguns sorrisos, gracejos e com um pouco de insistência e calma você consegue arrancar delas a confissão de que aquilo também lhes é violento. Elas sabem, nós sabemos, o que é ser menos humana e cidadã de segunda classe.
Nós, mulheres, somos enquanto grupo o povo mais miserável do mundo e mesmo aquelas que receberam uma fatia do bolo capitalista (não do patriarcado porque a esse bolo nenhuma de nós tem direito) e branco estão sujeitas a violências que eu, mulher negra e pobre estou sujeita.
Eu, mulher negra e pobre, não vou travar uma guerra contra essas mulheres. Eu tenho mais o que fazer. E o que é esse meu “mais o que fazer”? Eu explico em poucas linhas. Além de ter que lidar com as violências que são universais a todas as mulheres: estupro, aborto clandestino (ainda que em uma clínica particular ele é menos seguro e ainda é vexatório, se não fosse você ouviria sobre isso em rodas de conversa no reveillon do Copacabana Palace), violência doméstica, assédio moral e sexual no trabalho, ser vista intelectualmente como incapaz, ter sua fala invalidada por ser considerada mais emocional, ter seus feitos na carreira e na universidade relacionados a permutas sexuais, ser enfeite social (obrigação de ser bonita), gastar boa parte da sua renda para estar agradável (depilação, intervenções cirúrgicas, produtos de beleza,, roupas e tudo mais) etc Além de ter que lidar com tudo isso eu tenho uma demanda sobre mim para conseguir sobreviver que é enorme.Eu tenho que lidar com terrorismo racial cotidiano, eu tenho que lidar com postos de trabalho subalternizados, eu tenho que lidar com a administração de uma renda que mal cobre meus gastos básicos com saúde, alimentação e educação. Ás vezes eu tenho que escolher estudar ou comer ou estudar ao invés de trabalhar, eu tenho que lidar com o fato da cor da minha pele ser associada a sexualidade sempre disponível, eu tenho que lidar com a violência vinda do homem pobre e preto a serviço do homem branco rico,tenho que recuperar anos de autoestima destruída por conta de ter nascido com um cabelo crespo e um nariz achatado, horas extenuantes de trabalho dentro e fora de casa. O meu dia a dia é uma luta incansável para não sucumbir, para sobreviver e nas horas extras ou depois do primeiro fim de semana após quinto dia útil do mês tentar viver. E eu quero militar politicamente, eu quero ajudar a transformar um mundo em um ambiente menos hostil para todas as mulheres, sendo que não me sobra tempo nem pra dormir e me divertir. Eu tenho que escolher isso também, se vou socializar, ver outras pessoas, espairecer ou se vou tentar descansar o máximo de tempo que eu conseguir. Como vocês podem ver, a minha agenda é cheia. E eu quero viver muito. Ah claro! Não conseguiram minar minha vontade de viver, apesar dos pesares. Então eu preciso escolher contra quem vou apontar minhas armas e eu preciso ser estratégica o máximo possível, se não eu vou terminar como a maioria das mães e donas de casa com problemas na coluna, ler, dores nas pernas por anos de trabalho doméstico não remunerado. E eu não quero isso. Ah eu quero ter um destino diferente das outras mulheres também e quero isso para todas as mulheres da minha geração. Não me sobra tempo para lutar contra mulheres ricas e brancas que simplesmente não representam de fato o poder capitalista, o poder capitalista é masculino.

Se você é uma mulher rica só não está limpando sua própria sujeira porque tem uma outra mulher fazendo isso pra você. O dia que você não tiver o poder aquisitivo pra isso vai ocupar o mesmo lugar que eu e milhares de outras ocupamos agora e que foram os homens que reservaram para nós: o tanque e o fogão. O que dá poder a uma mulher não é o dinheiro, o que dá poder a uma mulher é ela ser conscientizada que pertence a uma classe subalternizada. Da mesma forma que existirem pilulas e contraceptivos não dão automaticamente poder a ninguém de decidir sobre seu próprio útero e vagina. Isso só acontece quando as mulheres aprendem que são donas dos seus úteros e vaginas e aprendem a dizer “não”, aprendem que não devem ceder a chantagem emocional, aprendem que homens foram socializados para fazer jogos psicológicos e forçarem suas vontades guela abaixo das mulheres. O que dá poder de maneira geral a uma mulher é se reconhecer em todas as outras mulheres É entender que a questão das mulheres é a questão principal. Não haverá derrota da classe burguesa sem a derrota da classe masculina. Os homens são a burguesia do mundo, nós todas somos o proletariado. Não venha me citar exceções que representam menos de 1% de metade da população mundial.Você sabe e eu sei, que isso é desonesto e eu não tenho tempo para isso.
Mas sim eu vou falar sobre racismo com essas mulheres, eu vou falar sobre as mulheres pobres, eu vou falar sobre as menos assistidas. Mas não vou declarar guerra a elas. O meu inimigo é outro, o meu inimigo é quem criou e mantém essa estrutura, e eu preciso nomeá-lo: classe masculina. Eu também não tenho tempo de trabalhar com exceções. Eu disse que preciso ser estratégica não disse? E a minha estratégia que pessoalmente tem surtido mais efeito é dialogar ao limite das minhas forças com todas as mulheres. Não significa concordar com todas elas, nem aceitar tudo que elas dizem, significar não comprar o que elas dizem como guerra pessoal. Eu sei que dentro do sistema de coisas que me marginalizam e empurram pra baixo isso é o mínimo 
Ora, ora todas nós sabemos que todo mundo tem aliados políticos dentro da militância. Todo mundo faz acordo e entra em embates também com seus acordados em prol de conseguir avançar na luta. Eu apenas escolhi o aliado que não pode me estuprar com um pênis ou que não vai calar minha boca por eu ter uma vagina. Cada um com suas prioridades né? Enfim, esse texto termina sem dados estatísticos e pesquisa e se vocês sentiram falta de aprofundamento em algum argumento, me desculpem, eu sou uma mulher negra e pobre não tenho tempo.

Negra, feminista e radical.

Por Carina Prates

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Comecei a minha militância, inicialmente virtual, quando no Orkut comecei a participar de comunidades feministas e de militância negra. Algumas dessas comunidades foram memoráveis para mim, como a Feminismo & Libertação; Se não me vejo, não compro; Negros, entre outras. Foi ali o início do meu aprendizado e aonde criei minhas bases de atuação.

De lá pra cá, muitas coisas mudaram, fui para marchas, reuniões, fiz militância de forma autônoma e coletiva e a rede social mais utilizada já não é a mesma.

Porém, uma coisa que não mudou são as discussões e os velhos bordões. Quem já me conhecia naquela época sabe o quanto já me desgastei e o quanto briguei com militantes negros devido ao machismo nos espaços de militância e também o quanto eu e outras feministas negras já colocamos nossas pautas em espaços feministas.

Apesar de todos os desentendimentos, pelo menos eu, enquanto muher negra, tive muito mais facilidade de me articular no meio feminista do que na militância negra mista, tenho muito mais facilidade de lidar com mulheres nesse meio. Apesar das diferenças de etnia e de classe, que são fatores de vivência e análise muito importantes, vejo muito mais horizontalidade entre mulheres na militância. Isso não significa que eu não vá contestar quando a pauta racial no Movimento de Mulheres for esquecida, assim como já fizeram as minhas antecessoras. Não é que uma luta seja mais importante do que a outra, é porque, no final das contas, mulheres negras se vêem brigando por todos, mas temos que lidar com nossas pautas enquanto mulheres serem menosprezadas e até mesmo ridicularizadas, temos que lidar com o nosso silenciamento em espaços mistos (de homens e mulheres) em nome das “causas maiores”. Mulheres, em qualquer que seja a militância, sempre são deixadas por último. E é por nós que vou lutar. Chega de secundarizar as mulheres.

Não sou apenas uma pessoa negra, sou uma mulher, e isso molda a minha vivência de forma tão importante quanto.

Meu feminismo é negro, minha militância negra é feminista e as mulheres são o meu foco de militância, porque somos as pessoas que ficam para sempre como pautas secundárias em qualquer espaço de luta. Muitas vezes, temos que nos calar diante do machismo dos nossos “companheiros” para não atrapalharmos os seus objetivos principais (e esses objetivos principais nunca nos envolve).

Há muito tempo venho batendo na tecla de que uma luta antirracista que não respeita mulheres, é uma luta incompleta, pois mulheres negras vivenciam o racismo, e mais, vivenciam-no na sua própria construção e vivência enquanto mulheres.

Por isso, sou uma feminista negra radical.

Tenho todo o respeito pela história do conceito feminista de interseccionalidade, pela luta não apenas de Audre Lorde para construir um feminismo que lida com a sua negritude e lesbiandade, mas também, aqui no Brasil, pela luta de Lélia Gonzalez, Sueli Carneiro e outras guerreiras.

Essas lutas são importantes para todas as feministas, na construção de um feminismo que atenda de fato a demanda de todas as mulheres, mas principalmente para as feministas negras, de todas as correntes.

Porém, a segunda onda feminista foi a base para a nossa luta enquanto feministas, foi onde criaram-se as bases para as reivindicações das mulheres enquanto classe.

Em conjunto com os movimentos pelos direitos civis, nas décadas de 60 e 70, o feminismo negro foi se consolidando, apesar de todos os problemas internos.

A luta antirracista é estritamente importante também para negras radicais, porém, o nosso foco é, principalmente, nas mulheres negras, naquelas que estão sempre esquecidas. Assim como, dadas as devidas proporções, a luta anti-homofobia entre as radicais tocará primeiramente em como isso afeta lésbicas.

Ampliando o assunto, quando falei brevemente sobre a minha história no meio militante e sobre velhos bordões, é para dizer que tenho visto durante esse tempo, muitos argumentos repetitivos e, recentemente, me deparei novamente com um deles:

“O feminismo não é para mulheres negras, é um movimento social branco”.

Digamos que sim, o feminismo como conhecemos hoje tenha moldes europeus e norte-americanos e a base histórica contemple melhor a luta das mulheres brancas, apesar das fortes mulheres negras que fizeram história na luta antirracista e na luta feminista.

Para a velha pergunta; “o que é uma mulher?”, ainda no século XIX, Sojourner Truth, numa convenção sobre direitos das mulheres, na qual eram os homens brancos que discutiam sobre os direitos da mulher branca, perguntava se ela não era uma mulher, devido justamente a sua construção social como mulher ser diferente do que era discutido, do estereótipo vigente do que era ser mulher, devido ao racismo.

No mesmo discurso¹, Sojourner diz: “Se a primeira mulher que Deus fez foi forte o bastante para virar o mundo de cabeça para baixo por sua própria conta, todas estas mulheres juntas aqui devem ser capazes de conserta-lo, colocando-o do jeito certo novamente.” Um trecho sobre mulheres, enquanto mulheres.

Vale a pena ler o discurso completo “E não sou eu uma mulher ?” e perceber (ou reforçar) que gênero e raça são indissociáveis para as mulheres negras. Os homens da luta antirracista não costumam discutir gênero, essas são questões predominantemente feministas, e não são menos importantes para nós, enquanto mulheres e negras.

Mulheres negras são as maiores vítimas de violência obstetrícia, violência doméstica, desigualdade salarial. São pautas abordadas por feministas, que atingem a todas as mulheres, potencializada nas mulheres negras devido ao racismo.

O feminismo radical problematiza a prostituição e a enxerga como uma violência estrutural. Que mulheres são a maioria que sofre exploração sexual, desde cedo? Sim.

O padrão de beleza europeu que atinge mulheres brancas é especialmente cruel com mulheres negras, não nos encaixamos nesses padrões, mas somos exigidas a nos adaptar.

A solidão afetiva das mulheres negras² deve-se aos fatores que pautam as escolhas afetivas, e beleza é um fator importante, somos belas, mas não da forma que a sociedade exige. A dicotomia machista santa x puta não favorece a mulher nenhuma, muito menos à mulher negra, a qual o estereótipo recai no lado que não é escolhido para casar, para ser a companheira.

Mulheres negras também sofrem misoginia. Podem não ser vistas socialmente como as muheres brancas, mas também são estupradas, espancadas, exploradas, sofrem violência psicológica, são sexualmente julgadas por motivações machistas.

Enquanto feministas radicais, problematizamos a forma como essas exigências sociais recaem sobre todas as mulheres, porém, enquanto mulheres negras, analisamos as nossas especificidades.

Até mesmo quando se fala que o que dificultou a participação da mulher negra na luta feminista foi o fato de ela limpar a casa de mulheres brancas, isso tem motivação machista, já que é sempre uma mulher limpando.

Outro fator que vale destacar, é o apelo a nossa ancestralidade e o quanto ela se diferencia do patriarcado europeu. Amo a história africana, as histórias de rainhas e guerreiras, as Candaces, os relatos sobre sociedades matrilineares, os conhecimentos científicos na Antiguidade, cujo autoria hoje sequer é mencionada. É uma história de glória não perpetuada na sociedade, é uma história na qual não se conta 1/3, nossa história foi reduzida à escravidão, às mazelas como o racismo e a fome.

Mas, uma parte crucial da nossa história, que nos afeta fortemente hoje é, de fato, termos sido escravizadas e escravizados por europeus, trazidas a um continente estranho, países estranhos, tribos misturadas.

Mulheres negras foram estupradas nas senzalas. Mulheres negras não lutaram para trabalhar fora, pois sempre trabalharam fora, açoitadas, exploradas. Ora encubadoras, ora vendo seus fihos serem mortos.

Dito isso, é necessário relembrar que assimilamos a cultura dominante, no caso, a cultura européia. Então, dizer que homens negros não podem ser machistas, é se esquivar de suas responsabilidades enquanto homem em uma sociedade machista. Outras culturas não-européias também são e foram machistas e misóginas ao longo da história, isso não é desculpa. O homem negro que comete violência doméstica, desta forma, seria como o que pretere a mulher negra por uma branca como troféu, ambas são concepções machistas, assimiladas ou não. Ambos os casos devem ser problematizados e combatidos.

Isso é ser contra o homem negro? Isso é desprezar a luta antirracista e como isso afeta nossos irmãos de cor? Não. Isso é identificar que o machismo é perpetuado por todos os homens, que a masculinidade continua sendo violenta contra todas as mulheres. Temos dores em comum com os homens negros e com as mulheres de outras etnias. Mas relações até mesmo entre homens negros e mulheres negras podem não ser horizontais devido ao machismo. O que separa homens negros e mulheres negras não é o feminismo, mito que não tem o menor sentido, é o machismo cometido pelos homens. E se as relações entre homens e mulheres fossem mais saudáveis, muitas mulheres não deixariam de militar ao lado de homens pelo fim do racismo, digo por experiência própria.

“Nossa situação como gente negra requer que tenhamos uma solidariedade pelo fato de ser da mesma raça, a qual mulheres brancas evidentemente não necessitam ter com os homens brancos, a menos que seja sua solidariedade negativa como opressores raciais. Lutamos juntas com os homens negros contra o racismo, enquanto também lutamos com homens negros sobre sexismo.”³

Assim como combatemos o machismo do homem branco e o seu poder social, por ser o que tem o poder de submeter a todos nós.

Também não vamos ignorar a nossa historia recente. A África também foi colonizada e, da mesma forma, não é um paraíso para as mulheres. Não saberia dizer se já foi, mas hoje não é.

Apenas exemplificando, mulheres no Congo são sistematicamente estupradas. Em muitos países, ainda há mutilação genital, como tradição cultural. E antes que façam duas relativizações culturais pós-modernas, vamos a elas: barbárie contra mulheres não deve ser respeitada como tradição, é barbárie mesmo; nessa prática mutila-se vaginas, independentemente de identificação.

Pergunta 1: mulheres negras não podem ser feministas?

Pergunta 2: feministas negras não podem ser radicais?

Duvido que não.

 

Notas:

1. E não sou uma mulher?

http://arquivo.geledes.org.br/atlantico-negro/afroamericanos/sojourner-truth/22661-e-nao-sou-uma-mulher-sojourner-truth?fb_locale=pt_BR

2. Por que as mulheres negras são minoria no mercado matrimonial?

http://www.xiconlab.eventos.dype.com.br/resources/anais/3/1314405972_ARQUIVO_PORQUEASMULHERESNEGRASSAOMINORIANOMERCADOMATRIMONIAL.pdf

3. Uma declaração Negra Feminista – A Coletiva do Rio Combahee – Abril de 1977

https://we.riseup.net/assets/178688/combahee%20river%20zine.pdf